Autismo Aposenta? Entenda os Direitos e Benefícios para Pessoas com TEA

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurológica que afeta a comunicação, o comportamento e a interação social de quem é diagnosticado.

No Brasil, com a promulgação de leis que garantem direitos a pessoas com deficiência, os indivíduos com TEA passaram a ter acesso a benefícios importantes, incluindo a possibilidade de aposentadoria em condições especiais.

Este artigo detalha como funciona o processo de aposentadoria para pessoas com autismo, os requisitos necessários e os direitos assegurados pela legislação brasileira.

O Autismo e o Reconhecimento como Deficiência

Uma das principais mudanças no reconhecimento do autismo no Brasil veio com a Lei nº 12.764/2012, conhecida como a Lei Berenice Piana.

Essa legislação define o autismo como uma deficiência, permitindo que pessoas com TEA sejam incluídas nas políticas públicas destinadas à proteção e inclusão de pessoas com deficiência.

Com base nessa lei, as pessoas com autismo passaram a ter direito a diversos benefícios, como isenções fiscais, acesso à educação inclusiva, transporte gratuito em algumas cidades e, em casos específicos, a possibilidade de aposentadoria.

Quais São os Benefícios Relacionados ao TEA?

Além da aposentadoria, a legislação brasileira assegura outros benefícios importantes para pessoas com TEA:

  1. Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS)
    O BPC é um benefício assistencial garantido pela Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). Ele oferece um salário-mínimo mensal para pessoas com deficiência, incluindo o autismo, desde que a renda familiar per capita seja inferior a 1/4 do salário-mínimo.
  2. Isenções Fiscais
    Pessoas com TEA ou seus responsáveis podem solicitar isenções de impostos como IPI e IPVA na compra de veículos adaptados ou utilizados no transporte da pessoa com deficiência.
  3. Prioridade em Serviços Públicos
    A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) garante prioridade no atendimento em serviços públicos e privados, incluindo áreas de saúde, educação e transporte.
  4. Aposentadoria
    Em alguns casos, pessoas com TEA podem ter direito à aposentadoria por invalidez ou até mesmo em condições especiais, dependendo do grau de comprometimento.

Como Funciona a Aposentadoria para Pessoas com Autismo?

Existem diferentes modalidades de aposentadoria disponíveis no Brasil para pessoas com deficiência, incluindo aquelas diagnosticadas com autismo.

1. Aposentadoria por Invalidez

Essa modalidade é destinada a indivíduos que, devido à condição de saúde, estão completamente incapazes de exercer qualquer atividade laboral. Para solicitar essa aposentadoria, é necessário:

  • Ter contribuído com o INSS por, no mínimo, 12 meses (período de carência);
  • Passar por perícia médica, que comprove a incapacidade total e permanente para o trabalho.

No caso de pessoas com TEA, a perícia avalia se o grau de comprometimento das habilidades cognitivas, comportamentais e sociais impede o exercício de atividades profissionais.

2. Aposentadoria por Tempo de Contribuição com Redução

A Lei Complementar nº 142/2013 permite que pessoas com deficiência se aposentem com tempo de contribuição reduzido. Isso significa que, dependendo do grau de deficiência (leve, moderada ou grave), o tempo exigido para a aposentadoria é diminuído:

  • Deficiência grave: 25 anos de contribuição para homens e 20 anos para mulheres;
  • Deficiência moderada: 29 anos de contribuição para homens e 24 anos para mulheres;
  • Deficiência leve: 33 anos de contribuição para homens e 28 anos para mulheres.

No caso do autismo, o grau de deficiência é determinado por uma avaliação biopsicossocial feita por profissionais da área médica e social.

3. Aposentadoria Especial

A aposentadoria especial é voltada para trabalhadores expostos a condições de trabalho que colocam sua saúde ou integridade física em risco. Embora não seja diretamente relacionada ao autismo, alguns profissionais que trabalham em ambientes específicos e possuem TEA podem ser considerados elegíveis.

Documentos Necessários para Requerer a Aposentadoria

Para iniciar o processo de aposentadoria, o interessado (ou seu responsável) deve reunir uma série de documentos. Entre os principais estão:

  • Documento de identificação com foto (RG ou CNH);
  • CPF;
  • Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS);
  • Histórico de contribuições ao INSS;
  • Laudo médico atualizado comprovando o diagnóstico de TEA;
  • Relatórios médicos e exames complementares que atestem o grau de comprometimento.

Passo a Passo para Solicitar o Benefício

  1. Agendamento no INSS
    O primeiro passo é agendar o atendimento no INSS, o que pode ser feito pelo site oficial ou pelo aplicativo Meu INSS.
  2. Realização da Perícia Médica
    Durante a perícia, médicos e assistentes sociais analisarão os documentos apresentados e a condição do requerente.
  3. Acompanhamento do Processo
    Após a perícia, o processo será analisado pelo INSS, e o resultado será divulgado no portal Meu INSS.
  4. Recursos em Caso de Negativa
    Caso o benefício seja negado, é possível apresentar recurso administrativo ou buscar auxílio jurídico para recorrer da decisão.

O Papel dos Responsáveis Legais

Para crianças, adolescentes e adultos com TEA que não possuem autonomia plena, os responsáveis legais desempenham um papel fundamental na busca por direitos. Esses responsáveis devem estar atentos às oportunidades e ao cumprimento de prazos nos processos administrativos.

Além disso, em alguns casos, pode ser necessário solicitar a curatela para gerir os benefícios recebidos em nome da pessoa com autismo.

Desafios e Perspectivas

Apesar dos avanços legais, muitas famílias ainda enfrentam dificuldades no acesso aos benefícios, seja por desconhecimento, burocracia ou falta de informação nos órgãos competentes. Isso reforça a importância de buscar orientação especializada, seja por meio de advogados, assistentes sociais ou associações que apoiam pessoas com TEA.

Conclusão

A aposentadoria para pessoas com autismo é um direito que, embora cercado de requisitos e processos específicos, está previsto na legislação brasileira.

Seja por meio da aposentadoria por invalidez, por tempo de contribuição com redução ou outros benefícios como o BPC, é fundamental que as famílias conheçam seus direitos e busquem suporte para garantir qualidade de vida e inclusão para pessoas com TEA.

A informação é a principal ferramenta para vencer barreiras burocráticas e assegurar que todos os direitos sejam respeitados. Se você ou alguém próximo tem autismo, procure ajuda especializada e faça valer os benefícios que a lei oferece.

Gostou do Artigo? Compartilhe =)

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email

Veja Outros Posts Relacionados à

Pesquisar

Redes Sociais

Facebook

Siga-nos no facebook

Linkedin

Siga-nos no linkedin

Instagram

Siga-nos no instagram

YouTube

Siga-nos no youtube

Categorias

Mais Vistos

Politicas de Privacidade

Usamos cookies para melhorar a sua experiência em nossos serviços. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal condição. Para mais informações, visite nossa: Política de Privacidade

Aceitar e Fechar

🚨 Cuidado, alerta de golpe! 🚨

Golpistas têm se passado pelos advogados do escritório, alegando que sua ação foi ganha e fornecendo informações como número do processo, nome, valores que têm a receber, entre outras informações.

Eles solicitam pagamentos, ligam ou mandam mensagem dizendo que estão prontos para transferir o valor do processo, mas que antes precisam pagar uma taxa de imposto, boleto ou imposto para poder liberar o suposto valor da sua ação.

CUIDADO: ISSO É UM GOLPE!

Não solicitamos qualquer tipo de transferência/pix, TED, DOC ou pagamento de boletos para liberar o valor da sua ação!!!

Qualquer mensagem que receber, ligação ou e-mail entre em contato imediatamente nos canais oficiais do Escritório ETPR ADVOGADOS
(11) 99916 – 7724 / (11) 3115-0360
contato@etpr.adv.br